Um grupo de eremitas associou-se no Monte Carmelo vivendo onde antes fora a fonte de Elias (I Rs 19, 9-18), abitando em grutas e praticando vida de oração. Em 1209, Alberto, Patriarca de Jerusalém, dá-lhes uma forma de vida concreta, uma Regra, e os reúne sob a obediência ao Frei Brocardo, que é o primeiro superior da Ordem.

Em 1215, o Concílio de Latrão proibia o estabelecimento de novas Ordens Religiosas, vários Prelados da Terra Santa começaram a contestar o direito de existência aos Carmelitas, por eles não terem ainda aprovação pontifícia. Daí que os Carmelitas tiveram que recorrer a Roma. Depois de várias insistências, chega, finalmente, a aprovação dada pelo Papa Honório IV, em 30 de Janeiro de 1216, com a Bula Ut vivendi norman: “Mandamos, a vós e aos vossos sucessores, que observeis em remissão dos vossos pecados, na medida do possível, a Regra que vos foi dada pelo Patriarca de Jerusalém, de santa memória, pois que humildemente afirmais tê-la recebido antes do Concílio Geral”.

Em 1237 as perseguições que os mulçumanos empreenderam contra os cristãos na Terra Santa fizeram com que muitos carmelitas fugissem para a Europa. Os que insistiram em ficar foram massacrados pelos islâmicos.

Com a vinda dos carmelitas a Igreja no Ocidente pode conhecer alguns dos antigos ritos da tradição oriental, como a liturgia do Santo Sepulcro na devoção aos sete passos da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, que depois os franciscanos vão ampliar para as quatorze estações da via-sacra.

São Simão Stock era um dos mais piedosos carmelitas que vivia na Inglaterra, sendo eleito Prior Geral em 1245, e vendo a Ordem dos Carmelitas ser perseguida até estar prestes a ser extinta, ele sofria muito e pedia socorro a Nossa Senhora do Carmo. Na manhã do dia 16 de Julho de 1251 dirigiu sua oração a Nossa Senhora, como os carmelitas fazem até hoje: Flor do Carmelo, vinha florida. Esplendor do Céu. Virgem Mãe incomparável. Doce Mãe, mas sempre virgem. Sede propícia aos carmelitas. Ó Estrela do mar.

Então Maria Santíssima, rodeada de anjos, apareceu e lhe entregou o Escapulário e disse: “Recebe, meu filho muito amado, este escapulário de tua ordem, sinal do meu amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas. Quem com ele morrer não se perderá. Eis aqui um sinal  da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e amor eterno”. A partir desse milagre, o escapulário passou a fazer parte do hábito dos carmelitas.

O Escapulário

A popularidade do escapulário marrom é devida, em parte, às graças específicas que estão associadas pela própria Virgem Maria nas suas aparições a São Simão Stock e ao Papa João XII: a garantia de todo aquele que o usar devotamente não morrerá em pecado mortal, e o privilégio sabatino.

No entanto, é preciso entender corretamente o conteúdo dessa promessa feita pela Virgem: a perseverança final isto é, a salvação para quem morrer usando o escapulário. A graça que Nossa Senhora concede aos que usam o escapulário e morrem com ele é a de se arrependerem de todos os pecados cometidos em vida, já que é uma verdade de fé que só se pode salvar quem estiver em estado de graça na hora da morte.

Compromissos de quem usa o Escapulário

l. Aprofundar continuamente a vida cristã; engajar-se sempre mais na pastoral da Igreja, dar testemunho de vida cristã.

2. Vivenciar as práticas da devoção à Virgem Maria, tão enraizada no povo; meditar a Palavra de Deus e participar ativamente da vida da Igreja.

3. Procurar fazer pequenas penitências que fortaleçam a vida espiritual e levem a participar da Paixão de Cristo e da paixão do povo.

4. Terço e escapulário são inseparáveis. É preciso, portanto, descobrir o terço como oração que une a família, “pequena Igreja doméstica”, ao redor da Mãe de Jesus.